Um Dedo de Prosa Poética

Ícaro Beranger



Segunda-feira, Agosto 28, 2006

S o r r i s o   s e m   C a m u f l a g e m


"Seja como for, recriar a vida também é vivê-la (...)"
(APC, num comentário em seu próprio blog)

(para APC e Helena Sofia)


APC -- foto retirada do blog Camuflagens (http://www.camuflagens.blogspot.com/)
Das dores, extraio o espanto filosófico. Dos sabores, extraio o encanto de um sorriso, mesmo indiviso, velado, camuflado; deflagrado ou não. E gozo a alegria sem temer as conseqüências do abismo, pois o que resta nas frestas da gente é memória, é história, é a glória da vida. Ao que me convida a minha asa não renuncio por temer o chão. Porque na finitude do não me engendro, me arquiteto, me poeto.

Há tantas formas de felicidade quantos sorrisos que nos cabem no rosto. Mesmo entre orvalhos noturnos, saudades, o gosto de uma alegria sói nos visitar. Mesmo se soturnos os baralhos do acaso, mesmo entre o que dói, não há descaso com o riso. E as alegrias atravessam oceanos, como a poesia vence o tempo e combate os anos, laureando alguns com a imortalidade.

Duas luzes serenas, alegrias amenas, tenras e ternas, venceram um Atlântico para me chegar. Duas lusitanas mensagens vieram fazer festa em minhas íntimas paisagens. Ambas são alegrias moldadas na chama das letras, letras que vieram de Lisboa me alcançar. Uma me veio por meio de uma moça incógnita, cujo nome suponho, mas aqui não exponho por não saber se eu soube adivinhar. A outra alegria que me coube, veio-me por meio da carta de uma outra moça, que sabe a incógnita por trás de meu nome. Numa amizade antiga ou iminente, a felicidade premente não é miragem. Por isso sorrio. Sou rio, heraclitianamente. E tenho sorriso sem camuflagem...

(Escrito de alegria em agradecimento à homenagem que recebi de APC em seu blog Camuflagens (http://www.camuflagens.blogspot.com/) e à carta que recebi de minha amiga Helena Sofia.)

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ÍCARO BERANGER - 10:09 PM


P e r f i l

Sou dado a sonhos altívolos. Em meu nome, trago as asas de meus mais profundos desejos de liberdade. Deslumbro-me com a claridade do sol e a altura do vôo. Afogado na aspiração de ser alado como um deus, sou pagão desde a origem dedálea de meu nome.

Sou afeiçoado a sons altíssonos. Em mim, trago ambições cerzidas de intensas ânsias elevadas. Descubro-me vário sob a luz lunar e o sublime êxtase de um acorde. Acossado no desejo de ser como Orpheu, sou aedo desde a origem labiríntica do que é meu.

Ícaro sou eu, homem feito das fibras intrincadas do desejo. Recuso toda advertência que castra o vôo, mesmo pagando com a morte a ousadia. Digo isso porque há muitos tipos de mortes em vida, muitos preços por ousar viver. A vontade de potência no mais alto grau desejante jamais é lassa, mesmo quando lhe grassa a lassidão. E eu só vivo da vontade de potência.

Este sou eu: Ateu, epicureu, nunca filisteu. Aedo alado, desejo flagrado e deflagrado. Sim, este sou eu...

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