Um Dedo de Prosa Poética

Ícaro Beranger



Domingo, Julho 30, 2006

A m o r ,   m e   c h a m a . . .


"E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada"
(O meu amor -- Chico Buarque de Hollanda)

(para ti, meu amor)


Eros & Psiqué
Quero repousar minha vida sobre teus seios, teus meios, teus entremeios. E me derreter inteiro sobre teu corpo, sobre teu cheiro morno de paixão. Meu coração salta com teus beijos. E tu sabes bem os desejos do meu beijar, do meu tocar, do meu amar...

A poesia dos nossos corpos deve repetir a das nossas almas. Numa pressa toda calma que é afã. É manhã. És manhã (com o adjetivo só teu e meu) em mim. És meu jardim de delícias, de carícias, de malícias. A música que mais gosto de cantar. Eu, que aprendi da música que devo te amar devagar e urgentemente, te amo mais. Eu te amo sem enquanto, só presente. Eu te amo tanto, tanto, tanto!

Depois de espasmos, orgasmos; depois de o cosmo revirar, quero olhar nos teus olhos e me encontrar na tua ternura. Na tua candura. No formato exato de teu rosto, de teu gosto. Quero teu sorriso escancarando as minhas janelas, as minhas tramelas despregadas no chão. Quero tua mão na minha, pois neste compasso caminha meu coração.

Quero tuas costas nuas, quero caminhar por tuas ruas e te esculpir com minhas mãos. Assim, recomeçamos um amor que não tem fim, um torpor que é sempre assim: só amar. E o que pode o homem senão conjugar este verbo transitivo direto e buscar o objeto que ele pede, necessita, ordena?

Um amor não se condena. Por isso, meu coração se acelera quando, entre a espera e a delícia, escuta: "Amor, me chama de tua puta"!

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ÍCARO BERANGER - 10:00 AM


Quinta-feira, Julho 06, 2006

S o n s   c o n t e m p o r â n e o s   d e   u m a   a l m a   b a r r o c a


"Dáme fe, dáme alas,
dáme fuerza
para sobrevivir
en este mundo."
(Fe -- Maná)

Para Tatiana Mendes de Souza


Olhos garços e barrocos -- Tatiana Mendes de Souza
Tenho impressão de ouvir tua alma, quando o som de um maná me ensalma os ouvidos. Um maná de contornos profanos, ritmo dissoluto. Um maná contemporâneo, perdido como todos nós num mundo sem absolutos nem fundamentos. Um maná que é sustento sonoro para devaneios, para passeios sobre a eternidade das águas.

Tenho impressão de que esta música mestiça, que atiça todas as primitivas danças do corpo, exala tua sensualidade. Talvez seja pelo encontro com tua alma barroca, louca dualidade de quereres e sensações. Talvez por conjunções astrológicas, pela lógica conflituosa do céu e do mundo, dos teus olhos garços e do teu corpo que é rosa branca e lua desejante.

Tenho impressão de ser delirante toda essa atmosfera sonora de cais e loucura. Porque há uma aurora em cada procura, uma dualidade em cada fé. Porque o homem é um ser que procura a verdade e vive do que não é...


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ÍCARO BERANGER - 11:46 AM


P e r f i l

Sou dado a sonhos altívolos. Em meu nome, trago as asas de meus mais profundos desejos de liberdade. Deslumbro-me com a claridade do sol e a altura do vôo. Afogado na aspiração de ser alado como um deus, sou pagão desde a origem dedálea de meu nome.

Sou afeiçoado a sons altíssonos. Em mim, trago ambições cerzidas de intensas ânsias elevadas. Descubro-me vário sob a luz lunar e o sublime êxtase de um acorde. Acossado no desejo de ser como Orpheu, sou aedo desde a origem labiríntica do que é meu.

Ícaro sou eu, homem feito das fibras intrincadas do desejo. Recuso toda advertência que castra o vôo, mesmo pagando com a morte a ousadia. Digo isso porque há muitos tipos de mortes em vida, muitos preços por ousar viver. A vontade de potência no mais alto grau desejante jamais é lassa, mesmo quando lhe grassa a lassidão. E eu só vivo da vontade de potência.

Este sou eu: Ateu, epicureu, nunca filisteu. Aedo alado, desejo flagrado e deflagrado. Sim, este sou eu...

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