Existem muitas formas de se ver. Existe o olhar que não se conforma, o que deforma, o que se põe a ascender... Candeias de nosso corpo, cadeias de sentimentos, tantas coisas são os olhos, tantos molhos destas chaves que abrem e sabem outros tantos peitos!
U m o l h a r s o b r e o s o l h o s

"Há certas coisas no mundo
que eu olho e fico surpreso:
uma nuvem carregada
se sustentar com o peso
e dentro de um bolo d'água
sair um corisco aceso."
O Espetáculo -- Cordel do Fogo Encantado (album: O Palhaço do Circo sem Futuro)
Podemos levar os olhos afeitos a tanta mudança, ter olhos de assassino ou de criança. Podemos ter olhos cansados ou conservá-los meninos. Podemos mesmo não ver quando olhamos, pois muitas vezes sequer enxergamos por tanto olhar.
Por fim, pode-se conservar nos olhos a surpresa, como quem represa a natureza do espanto. Para tanto, deve-se desatar o que se pesa nos olhos e untá-los com óleos da inocência que ainda não se desfez, para que se conserve a ciência de olhar o mundo pela primeira vez.

Comentar:
O s N ã o - L u g a r e s
Quando começamos a descrer de utopias? Quando nossas mentes tornam-se frias a elas? Quando ocorre a defenestração de nossos sonhos e nas janelas permanecem medonhos horizontes de chão sem fim?
É assim, um dia a gente deixa de lutar, de buscar, de sonhar, de acreditar na metamorfose do mundo! E o fundo sem fim da indiferença ronda, sonda e arromba nossas portas, nossos portos, nossas esperanças mortas e nossos passos tortos. Nesta hora, somos tijolos compondo o muro, seguro, da castração. Neste agora estamos no solo maldito e escuro da desilusão.
Não há utopias -- lugares dos sonhos -- pois a pragmática do mundo, nada estática, afundou fundo os dias dedicados a elas. Um solvente universal arremessou pelas janelas da alma os não-lugares para realizar a calma operação da venda de sonhos sem vida pela estabelecida valoração de um vil metal.

Comentar:
P e r f i l
Sou dado a sonhos altívolos. Em meu nome, trago as asas de meus mais profundos desejos de liberdade. Deslumbro-me com a claridade do sol e a altura do vôo. Afogado na aspiração de ser alado como um deus, sou pagão desde a origem dedálea de meu nome.
Sou afeiçoado a sons altíssonos. Em mim, trago ambições cerzidas de intensas ânsias elevadas. Descubro-me vário sob a luz lunar e o sublime êxtase de um acorde. Acossado no desejo de ser como Orpheu, sou aedo desde a origem labiríntica do que é meu.
Ícaro sou eu, homem feito das fibras intrincadas do desejo. Recuso toda advertência que castra o vôo, mesmo pagando com a morte a ousadia. Digo isso porque há muitos tipos de mortes em vida, muitos preços por ousar viver. A vontade de potência no mais alto grau desejante jamais é lassa, mesmo quando lhe grassa a lassidão. E eu só vivo da vontade de potência.
Este sou eu: Ateu, epicureu, nunca filisteu. Aedo alado, desejo flagrado e deflagrado. Sim, este sou eu...
Blogs:
Alma em Punho
Betamania
Sede em Frente ao Mar
Blog da Paula
Blog da Ruiva
Dequinh@
DesnudaS
Diálogos de um amigo imaginário
Diálogos Impertinentes
Eu do Avesso
Fragmentos de Carolina
Ipsis Litteris
Letras Proibidas
Literatus
Meu Cantinho -- Lucia
Minha Alma
Minimalist
Pulsar Poético
Ritinha
Simplesmente Outono
Teofilo Tostes
A Vitrolinha
Créditos:
Thakira
Blogger Brasil